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Simples is beautiful

 

Vamos encarar uma realidade: o brasileiro não gosta de coisas simples. Valorizamos e privilegiamos tudo que é complicado, grandioso, trabalhoso e difícil. Duvida? Pense numa escola de samba e na trabalheira que dá colocar tudo aquilo para funcionar. É lindo, mas consome uma energia enorme, é coisa complicada. O brasileiro teme a simplicidade tanto quanto duvida dela e isso, logicamente, está presente, também, na gestão das empresas.

 

Claro que “não existem respostas simples para problemas complexos” e, quando os problemas não são tão difíceis, nós os transformamos até que alcancem um grau de complexidade que nos permita aceitá-los e sofrer, aliviados. Afinal, como dar valor a um problema que não nos consome? Que razão teria resolver algo com tranquilidade e logo partir para outra coisa: planejar, executar a rotina de forma controlada, pesquisar e propor melhorias? Ocuparmo-nos dos problemas cabeludos dá aquela impressão maravilhosa de poder e sensatez.

 

Nossas leis são complicadas, inacessíveis ao cidadão comum. Tirar um documento é complicado, ser ressarcido de um valor a que se tem direito também. Comprou algo com defeito, vai sofrer para trocar. Teve um problema com o cartão de crédito, com o banco? Vai ter de levar horas ao telefone ou em uma fila. As tecnologias evoluem, o tempo passa e o Brasil continua sendo um lugar difícil de se viver (no momento então!).

 

No mundo corporativo não é diferente. As pessoas sequer têm coragem de apresentar um plano simples e objetivo. Se não conseguirem gestar uma solução complicada ficarão com medo de terem errado. O triste é que isso só prejudica. Se soubéssemos lidar com as questões mais simples, teríamos mais tempo e seríamos, de forma geral, muito mais eficientes e felizes.

 

O simples fato de não confiarmos nas pessoas já ajuda muito a tornar tudo mais difícil. Nossa recusa sistemática em não ouvir os outros e pesquisar suas reais necessidades nos impõem erros desnecessários. E eles vão crescendo até que tudo fique tão difícil que restará reclamar dos semelhantes. Afinal, como dizia Sartre: “o inferno são os outros”.

 

Observe-se, por exemplo, como no mundo corporativo os trabalhos são distribuídos de forma irracional. As pessoas estão normalmente insatisfeitas, executam tarefas das quais não gostam. Conheci profissionais que seriam mais felizes e produtivos se apenas trocassem de cargo com algum colega, que experimentaria a mesma felicidade. Mas pesquisar isso, propor e fazer a troca tem o risco de simplificar tudo – não pode.

 

Quando se vai fazer um planejamento cria-se algo tão grande, tão complicado e de custo tão alto, que raramente será executado e, pior, se começado corre o risco de não ser concluído. Já viu esse filme?

 

Quando se avalia a descrição de um cargo, numa organização (pública ou privada), nota-se que se fazem exigências de conhecimentos e características que os ocupantes de tais funções jamais necessitarão utilizar. Restará o custo alto da função e a frustração de seu ocupante.

 

Se um equipamento precisa ser adquirido, usa-se o mesmo critério: na dúvida superdimensione. Conheço empresas que possuem equipamentos que ninguém sabe usar. O mais simples atenderia? Ninguém se deu o trabalho de perguntar.

 

E o caro leitor há de querer saber: e a solução, qual é? Ame o simples, experimente-o, teste-o primeiro antes de descartá-lo. Tenha coragem e fé. A simplicidade deve ser encarada como um valor, algo que compõe o nosso capital espiritual que, inconscientemente, usamos na hora de decidir. Quem ama o simples, geralmente, consegue dar conta do que é complicado. Afinal, acredite: simples is beautiful.

 

Nilson é Sócio Diretor da Solução Sustentável

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